HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO DO LAICATO NO BRASIL
Da Ação Católica à criação do CNL...
A Ação Católica foi um espaço concreto e significativo no processo de organização dos leigos católicos no Brasil. Sua extinção na década de 60 deixou um vazio. De 1964 a 1975, os leigos ficaram sem um organismo de representação e expressão nacional.
Enquanto isso, o Concílio Vaticano II produziu importantes mudanças eclesiológicas, motivando a organização dos leigos. A própria CNBB, em conseqüência, incentivou os leigos, por meio de movimentos organizados, a discutirem uma nova maneira de se fazer representar junto à hierarquia.
1975 - Após quatro anos de intenso e cuidadoso trabalho e diálogo, nos dias 15 e 16 de novembro de 1975, reunidos em Assembléia Geral na casa Nossa Senhora da Paz, no RIO DE JANEIRO, os representantes credenciados das entidades de leigos, vinculados à Igreja católica, no Brasil, nomeados na Ata Assembléia, integralmente registrada no Boletim Participação n. 15 de 31/12/1975, deliberaram sobre a constituição do CONSELHO NACIONAL DE LEIGOS(AS), aprovação do estatuto por seis meses de experiência e eleição da primeira direção. Na oportunidade se fez presente, o então presidente da CNBB e do CELAM, D. Aloísio Lorscheider, manifestando seu apoio ao recém criado organismo.
1976 - Na assembléia de julho de 1976, é aprovado o estatuto definitivo e confirmação da presidência a cargo de Hélio Amorim, representante do Movimento Familiar Cristão.Na verdade, nem os próprios leigos estavam conscientes da necessidade do CNL nem a situação política do país era favorável à organização deles.As principais dificuldades nessa primeira etapa foram: a repressão sistemática dos cristãos mais engajados no mundo; a censura na comunicação; as divergências internas de ordem política e ideológica; a falta de recursos financeiros e a estrutura pesada e inoperante do CNL.
... E o CNL vai-se consolidando...
1981 - A partir de 1981, o CNL aprofunda sua caminhada. A busca de outras instâncias de representatividade, além dos Movimentos e Associações, foi incentivando e enriquecendo a organização. Aos poucos as Pastorais específicas vão-se incorporando ao CNL. A partir daí, não sem dificuldades, o CNL se faz presente nas Assembléias dos Bispos e nas reuniões da CEP.
1984 - A partir de 1984, o CNL faz um grande esforço para visitar todos os regionais da CNBB, a fim de articular e organizar os leigos nas bases.
1987 - Um novo impulso à articulação e à organização é o Sínodo dos Bispos sobre os Leigos em outubro.
Em preparação ao Sínodo, acontecem vários encontros diocesanos e regionais. O CNL organiza o I Encontro Nacional de Leigos, de 5 a 7 de agosto de 1987, em Mariápolis - SP, com a participação de 500 leigos de todo o Brasil. As conclusões (Caderno 2 do CNL) foram levadas a Roma por Dom Luciano Mendes de Almeida, então presidente da CNBB.
Aos poucos vão surgindo e consolidando-se os Conselhos Regionais de Leigos-CRL (hoje CNL/Regional...) Atualmente, 17 regionais têm um CNL/Regional, alguns já com estatuto aprovado. Desses 17 CNLs/Regionais, 4 possuem Equipe de Articulação. Os CNLs/Regionais, por sua vez, motivam os leigos nas dioceses a criarem os Conselhos Diocesanos de Leigos-CDL. Os movimentos e as pastorais de expressão nacional filiam-se ao CNL. Hoje (Junho/1999), oficialmente, são 28 organizações filiadas.Os leigos que participam das CEBS, e vão se inserindo nos CRLs e CDLs. Assim, o CNL realmente torna-se representação e expressão nacional do laicato, a partir das bases.
1988 - Ao longo da caminhada e atendendo à solicitação de mudanças, o CNL faz uma revisão do primeiro Estatuto, após vários encaminhamentos e consultas às bases. O CNL, em sua VII Assembléia Geral, aprovou um novo Estatuto, vigente até 1997. Buscava-se aperfeiçoar a estrutura inicial, respondendo às mudanças ocorridas em doze anos.
1989 - A formação dos leigos sempre foi um grande desafio para o CNL. Na sua VIII Assembléia geral criou-se a Comissão de Formação do CNL, a fim de articular experiências existentes nas dioceses e nos regionais e pensar a formação no CNL.Numa primeira fase, a Comissão de Formação e o Ibrades, do Rio de Janeiro, organizaram 2 cursos nacionais e vários cursos regionais. Avaliando esses cursos, a Comissão de Formação chegou à conclusão de que a formação no CNL deve estar a serviço da articulação e organização dos leigos. De 1992 a 1995, 11 encontros inter-regionais de formação acontecem, com uma metodologia participativa a partir da prática de cada regional.
1991 - Na sua X Assembléia Geral, o CNL decide comemorar o Dia do Leigo na Festa de Cristo Rei, com o intuito de recuperar a memória e a importância da Ação Católica. A comemoração do Dia do Leigo deu-se por 2 aspectos: de um lado, para incentivar grupos, CLDs e CRLs (hoje CNL/Regionais) a refletirem a identidade e a missão dos leigos. De outro, para realizar uma coleta nas comunidades, paróquias e dioceses para financiar os custos da organização, nos seus três níveis. De 1991 para cá, vários conselhos diocesanos vêm adotando a celebração do Dia do Leigo, realizando grupos de reflexões e coleta. Com isso, a receita interna do CNL está crescendo. Os movimentos, Pastorais e Associações contribuem com uma mensalidade. Para eventos e atividades maiores, o CNL ainda precisa de ajuda financeira de leigos de outros países. O grande acontecimento desse ano é a realização da I Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus. A comissão executiva do CNL participa da organização, da realização e da coordenação dessa Assembléia, que é um grande avanço na vida da Igreja do Brasil. O CNL é responsável pela convocação de 200 leigos.
1993 - O CNL realiza o II Encontro Nacional de Leigos na cidade de Lins-SP, de 10 a 13 de junho de 1993, com a participação de 500 leigos de todo o Brasil. O tema desse II Encontro é “Os Cristãos e os Desafios do Brasil: Presença e Compromisso”. Foram assumidos, em conjunto, os seguintes compromissos: participar, de forma organizada, da Campanha de Combate à Miséria e pela Vida; participar dos debates de Revisão Constitucional, em defesa das conquistas sociais; lutar pela implementação da Reforma Agrária e de uma política agrícola adequada e justa; engajar-se ativamente na promoção das Semanas Sociais em plano regional e nacional. Nesse ano realiza-se também a II Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, com o objetivo de adequar a atuação de cada organismo à luz de Santo Domingo. Novamente, o CNL tem uma participação significativa na organização e na coordenação da Assembléia, como também na convocação dos leigos.
1994 – Durante a XIII Assembléia Geral, o CNL – Regional Nordeste IV propõe a transformação do Conselho Nacional de Leigos/as do Brasil em Conferência Nacional dos Cristãos Leigos. E a partir daí se inicia um processo de estudo, de reflexão, de tomada de posição, de reformar estatutárias e de acalorados debates que, aos poucos, vai envolvendo todo o laicato do Brasil. Algumas etapas importantes vão ser cumpridas até que a transformação aconteça.
1995 - Em junho, de 15 a 18, acontece a XIV Assembléia Geral, cujos objetivos foram o aprofundamento da estrutura do CNL, a definição de plano e metas e a eleição do (a) coordenador (a), da Comissão Executiva, do Conselho de Representantes e do Conselho Fiscal. Em outubro, de 12 a 15, realiza-se a III Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, com o objetivo de aprofundar as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o quadriênio 1995-1998 e sua adequação à convocação do Papa na Carta Apostólica sobre a preparação para o ano 2.000.
1996 - Em junho, de 6 a 9, o CNL realiza o III Encontro Nacional de Leigos, em Goiânia - GO. O tema desse III EN é “Cidadania: Construção e Compromisso do Cristão”. Cada regional organiza um encontro regional em preparação ao EN, e nele participa quem participou nas bases. Foi um momento rico de reflexão, celebração e partilha, que a “Mensagem aos Leigos e Leigas do Brasil”, como conclusão desse III Encontro sintetiza em dignação, esperança e compromissos:
“Ao olharmos a realidade com os olhos de Deus, que assumiu a face humana em Jesus Cristo, e na certeza de que Seu projeto é Vida, e a Vida em abundância para todos, brotam em nós sentimentos de indignação e esperança que queremos partilhar com todos vocês.
Indignação por constatarmos que essa realidade é marcada pela ausência de cidadania, que se traduz na negação dos direitos humanos fundamentais: saúde, educação, alimentação, habitação, terra, trabalho...
No entanto, a Palavra que nos iluminou a olhar a realidade reforça nossa esperança e nos impulsiona para a solidariedade e a participação na construção de uma cidadania plena, que fará surgir um Novo Céu e uma Nova Terra.
Esperança ao perceber que as nossas comunidades se constituem em verdadeiras escolas de cidadania, quando a palavra é partilhada, quando os dons são acolhidos e se transformam em serviço.
Esperança na capacidade de criar alternativas, a partir da fé e da utopia evangélica, para responder aos desafios de nossa realidade e de nosso tempo; sair do isolamento e criar ‘redes’ desarticulação e intercâmbio; unir forças nas cooperativas e associações, abalando em suas estruturas o sistema neoliberal.
Da indignação e da esperança brotam nossos compromissos, entre os quais destacamos:
. Engajarmo-nos na conquista de uma profunda reforma no uso da terra: reforma agrária que propicie terra para quem nela quer produzir e reforma urbana para quem dela precisa para morar dignamente e sobre ela construir sua família.
• Lutarmos por políticas geradoras de empregos e distribuidoras de renda;
• Estarmos presentes em todas as ações que busquem uma radical inversão de prioridades sociopolítico-econômicas, no sentido de banir do nosso meio todos os efeitos maléficos do neoliberalismo, construindo uma sociedade justa e igualitária;
• Envolvermo-nos, de corpo e alma, no Projeto de Evangelização Rumo ao Novo Milênio para que aconteça, de fato, o Ano Jubilar...”
... E a reestruturação do CNL se torna realidade...
1997 - De 29 de maio a 1º de junho realizam-se, em São Paulo, simultaneamente, a XVI Assembléia Geral Ordinária e a Assembléia Geral Extraordinária, convocadas para deliberar sobre a reforma do Estatuto, culminando um processo de discussões e debates a partir das bases, iniciado um ano antes, em Goiânia.O resultado do esforço conjunto para o aperfeiçoamento da nossa estrutura de organização assegurou a permanência da Assembléia Geral e introduziu o Colegiado de Representantes, a Presidência, o Colegiado Fiscal e o Colegiado Consultivo, além de ter definido o regime financeiro do CNL. Tudo isto está contido no estatuto do CONSELHO NACIONAL DE LEIGOS E LEIGAS CATÓLICOS DO BRASIL. Também ficou decidido que em 1999 seria realizada uma Assembléia Geral Extraordinária, para deliberar sobre a modalidade organizativa dos leigos e leigas católicos do Brasil, como Conselho ou como Conferência.
1998 - De 11 a 14 de junho, em São Paulo, aconteceu a XVII Assembléia Geral do CNL, para adaptação das mudanças em seus órgãos de direção, conforme determina o artigo 36 do estatuto no ano anterior. Nessa assembléia que foi também eletiva, foi eleita a primeira presidência do CNL. Também foi decidido (de acordo com § único do Artigo 2º do Estatuto) que a sede de trabalho da Presidência, no triênio 1998 à 2001, seria em Goiânia/GO. Em outubro, de 9 a 12, realizou-se em São Paulo, no Colégio Arquidiocesano, na Vila Mariana, a IV Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, que teve como objetivo apreciar o documento de estudos de número 77 da CNBB: “MISSÃO E MINISTÉRIOS DOS LEIGOS”.
...CNBB aprova o documento sobre a vocação e missão dos cristãos leigos e leigas...
1999 - Após várias discussões, estudos e conversas, acatando inúmeras sugestões, a CNBB, em sua XXXVII Assembléia Geral, aprova o documento MISSÃO E MINISTÉRIOS DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS, da coleção documentos da CNBB, n.º 62. Esse documento, além de ser a consolidação da caminhada dos cristãos leigos e leigas, é um precioso subsídio à caminhada do CNL. De 3 a 6 de junho, aconteceu a XVIII Assembléia Geral do CNL, em Belo Horizonte - MG, e a Assembléia Extraordinária, na qual ficou aprovada a Conferência como modalidade organizativa, bem como impulsionando e desencadeando todo o processo de construção das conferências nos âmbitos local, regional e nacional, sendo também decidido que será em novembro de 2001 a I Conferência Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas do Brasil, em Fortaleza-CE. É então constituída a Comissão Temática do CNL que coordena todo o processo de discussão dos temas das conferências que serão realizadas no ano 2000, âmbito local, 2001, âmbitos regional e nacional, assim como já está “pronto” o regimento geral do processo das conferências.
2000 - De 22 a 25 de junho, realiza-se, em Vitória, a XIX Assembléia Geral Ordinária do CNL, tendo como tema central o aprofundamento das reflexões sobre a organização dos leigos e leigas católicos do Brasil na modalidade Conferência, subsidiando o Instrumento de Trabalho da I Conferência Nacional. Esse Instrumento de Trabalho foi publicado e discutido nas várias conferências locais e regionais. Nessa XIX Assembléia Geral Ordinária, ficou decidido que o CNL fará durante todo o ano de 2001 a celebração-comemoração de seus 25 Anos de Vida, no qual esse livro é parte dessa celebração-comemoração. De 24 a 26 de novembro de 2000, realiza-se, em Goiânia-GO, o I Encontro Nacional dos Movimentos Eclesiais, no qual o CNL teve a responsabilidade de parte de sua coordenação e articulação. Tal encontro teve como tema: Muitos Carismas: Uma Única Missão, e como lema: “Que todos sejam um... para que o mundo creia”(Jo 17,21). Houve também a participação do CNL, de 24 a 29 de novembro de 2000, por meio de seu presidente, Wolmir Amado, como representante do laicato brasileiro, na Celebração do jubileu dos Leigos, em Roma.
2001 - Participação do CNL, por meio da presidência, no I Encontro de Leigos(as) do Cone Sul, de 7 a 9 de fevereiro, Montevideo no Uruguai. Participação do CNL na V Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, por meio de 170 delegados(as), de 28 a 30 de abril, em Itaicí-SP. Realização da XX Assembléia Nacional, em Nova Iguaçu-RJ, de 14 a 17 de junho, que além de ser comemorativa e celebrativa dos 25 Anos do CNL foi também eletiva. E finalmente entre 23 e 25 de novembro aconteceu a I Conferência Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas do Brasil. Esse evento contou com a participação de mais de oitocentos delegados, leigos e leigas de todo o país. Participaram também padres, religiosos e bispos convidados, e representantes de diversos países da América Latina. Durante a Conferência evento foi estudado e aprovado o Documento de Fortaleza, acolhendo as emendas ao Instrumento de Trabalho, provindas de todos os Regionais.
2002 - Dos dias 30 de maio a 2 de junho acontece em Ilheus-BA a XXI Assembléia Geral Ordinária do CNL. |